“I want to be left alone”: branding, marcas e comunicação em excesso

Estamos na era do conteúdo. Todos compreendemos isto, afinal, estamos aqui construindo a relevância das idéias, não é! Sinceramente, como consumidora e cidadã tenho tido vontade, ultimamente, de aplicar a célebre frase de Greta Garbo: “I want to be alone”.

Concordamos que preferimos acessar informações e anúncios que sejam relevantes para nós. Concordamos que anúncios relevantes interessam mais do que aqueles que não estão conectados com nossas necessidades. Concordamos que ver anúncios relevantes baseados no histórico de navegação pode ser interessante, embora um pouco assustador, exceto quando o espremedor de frutas fica nos perseguindo por mais do que alguns dias.

Consumimos conteúdos on e off line e até gostamos de ver anúncios audiovisuais, impressos, no mobile mas, espere um pouco, será que além de falar dá para alguma marca nos escutar também?

Estamos cansados desta ânsia em sermos identificados, enquadrados, perseguidos e alcançados em todos os momentos, a todas as horas. Nos sentimos, muitas vezes, como uma personalidade cinematográfica a quem a privacidade está sendo negada. Você pode argumentar: é só se desligar de tudo! Mas e as relações sociais que ocorrem hoje mais através das mídias do que presencialmente? Não quero afastar-me delas.

Há excessos de muitas coisas no momento atual em que vivemos e é certo que tudo deverá se acomodar de forma diferente com o passar dos próximos anos. No entanto, pensando em estratégia de comunicação integrada, talvez seja mais importante estar presente, da forma correta e na hora certa, junto ao público de interesse do que cercá-lo através de todos os pontos de contatos possíveis.

Fácil de dizer e difícil de concretizar: relevância. A marca precisa ser aquele amigo com quem é possível contar quando precisar: o banco que me auxilia, me orienta e avisa; o supermercado que tem produtos, preços e serviço de acordo com minhas expectativas; a roupa que me permite ter o visual que eu desejo; o seguro que me apoia realmente quando um sinistro ocorre.

As marcas, produtos e serviços estão assemelhando-se mais àquelas mães que ligam dez vezes por dia para o “filhinho” bem crescido e adulto, perguntando se ele tem se alimentado bem, do que aquela que respeita o espaço dos filhos e mostra a eles que estará sempre presente quando precisarem, sem pressão. O estudo Dimensions publicado no Jornal Meio e Mensagem com o título “Falar e Escutar” resume bem a sensação:

“As marcas e agências têm um grande desafio pela frente. Aproveitar ao máximo os meios digitais e os meios já estabelecidos para gerar vínculos com o consumidor mas, ao mesmo tempo, balancear a intensidade dessa conversa tornando-a relevante”.

Tornar relevante é, para a maioria dos casos, mostrar ao consumidor que pode contar com o produto, marca ou serviço quando precisar e realmente estar lá quando isso ocorrer: ter um produto de qualidade disponível, preços competitivos, informação coerente e, sobretudo, atendimento adequado em todos os pontos de contato, da comunicação ao ponto de vendas e além.

Falar e aparecer hoje é muito fácil, tornar todas as promessas concretas é exatamente a parte mais árdua das organizações atuais. Portanto, se não puder realmente me ajudar, “please, I want to be left alone”

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