AS GÔNDOLAS DO VAREJO NÃO SÃO MAIS COMO ANTIGAMENTE

Os supermercadistas estão se movimentando. Estou observando corredores repletos de produtos com promoções reais, honestas. A verdade é que, grande parte dos empresários brasileiros acostumou a trabalhar com taxas de lucro sempre nas alturas, markup de 300, 400%, acompanhando um sistema neoliberal.

Mais do que nunca os consumidores estão sensíveis a preço. A pesquisa por oferta e o melhor custo benefício, está inclusive bem próxima, com o mobile encurtando ainda mais o caminho. A recessão econômica freia o consumismo por impulso. As famosas guloseimas já não entram mais com tanta frequência no carrinho, aliás, estão praticamente suspensas.

Quando o “calo aperta” no bolso, o consumidor acaba utilizando mais o córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pela razão. De acordo com Antônio Damásio em seu polêmico livro, O Erro de Descartes, a razão não sobrepõe a emoção, nem ao contrário. Elas estão interligadas, onde nosso cérebro processa informações de acordo com o contexto da situação. Uma vez que Damásio fez este tipo de constatação, podemos afirmar em fase de economia retraída, que a razão pode falar mais alto.

O self-awareness nunca esteve tão presente na cabeça dos consumidores brasileiros nestes últimos meses. O receio e as incertezas da economia brasileira impactaram, e muito, a forma de consumo da população. O cenário não é dos melhores e essa retração do mercado irá certamente se manter por certo período (que seja breve).

De acordo com o estudo do ICV 30 (Índice de Consumidores do Varejo Mensal), divulgado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e Virtual Gate, os cinco primeiros meses de 2015 apontam que o consumidor brasileiro continua bastante cauteloso para comprar. O período apresentou queda de 6,9% em comparação ao mesmo período de 2014. Houve ainda uma redução de 8,2% no comparativo do mês de maio do ano passado.

A solução? Girar com rapidez e agilidade o máximo possível de produtos, ganhando no poder de compra, reduzindo custos e estoque. A sinergia com a turma de fornecedores e sell-in é fundamental para o alinhamento do pretendido ganha X ganha de ambas as partes. Se o momento atual não está oportuno para o crescimento, o importante é testar novas ideias e soluções. A promoção é uma delas.

Mas vale lembrar, a promoção não pode ser o principal motivo de compra dos consumidores, se assim for durante certo período, poderá comprometer toda uma estratégia de branding, reduzindo o Brand Equity do produto, sucumbindo o poderoso valor agregado, iniciando um ciclo vicioso de difícil reversão.

Esperamos por dias melhores e enquanto isso as gôndolas do varejo não são mais como antigamente, e o Shopper agradece.

Você também teve essa mesma percepção? Conta pra gente!

Grande abraço!!!

 

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3 comments

  1. Heron Xavier

    Olá Bruno! Muito bom artigo, parabéns meu caro!

    Li tudo, entrei nos links, pesquisei os sites citados. É muito bom lidar com informação e números. Gosto bastante.

    Concordo contigo: hoje o consumidor está mais cauteloso devido a crise e um pouco mais racional ele está na hora de comprar algum produto / marca. Olhando pelo lado positivo, é hora das empresas apostarem em ações além de uma promoção com foco em preço. Produtos mais em conta estão gerando experimentação do consumidor e se o mesmo for bom e cair no gosto do mesmo, passa a integrar parte do carrinho de compras.

    E é aí que as empresas que trabalham com brand equity precisam se alertar para campanhas de incentivo à compra por parte do consumidor. Troque brindes, faça uma boa degustação do produto, sorteios, melhor exposição nas gôndolas. Sei que tudo isto não impede o consumidor de optar pelo produto mais em conta, mas empresas que investem na crise saem na frente em relação aos concorrentes direto que decidem esperar pela crise passar para então reinvestir.

    É complicado né? As gôndolas realmente estão falando mais agressivamente com o consumidor. E os próprios supermercadistas, que antes não deixavam colocar material de merchandising nas mesmas, hoje estão mais flexíveis.

    Todos precisam vender e o mercado precisa consumir. FATO. Então, realizar um bom sell in, com preço adequado e volume interessante para não sofrer com estoque é meta crítica da indústria; já estudar o giro dos produtos nos clientes para efetivar novas ações de “desova”, também.

    E o cliente, aqui supermercadistas, precisa estar aberto a passar as informações necessárias para ser ajudado e ter investimentos em ações de trade.

    Grande abraço Bruno!

    Heron

    • Bruno de Lacerda

      Olá Heron, fico feliz pelo feedback do meu guru de trade marketing. Muito obrigado. A hora de se reinventar é agora.

      Grande abraço e SUCESSO!!!

      • Heron Xavier

        hehehehe nada! Temos muito para aprender ainda!

        Mega abraço!