Inteligência Competitiva e Realismo Político

Com a maturidade da área de IC instalada nas empresas, é inevitável que relatórios de cenários sejam demandos, não como puro exercício de achismo, irresponsabilidade e futurologia, mas baseados em fatos/lastros. Resumindo muito, a IC tem como base a aplicação da metodologia científica no monitoramento das rotinas e políticas corporativas. Não está isenta dos movimentos movimentos do sistema-mundo (Immanuel Wallerstein), e de seus consequentes desdobramentos. Não existe uma análise em condições ideais de pressão e temperatura. Por mais que se busque a aplicação do raciocínio analítico na compreensão da efetividade das ações da empresa, entendida aqui como um corpo social instalado na dinâmica geral do sistema, e por isso mesmo pertencente à dialética fundamental exógeno/endógeno. Qualquer plano estratégico minimamente digno, deve se ater neste ponto. Deve haver a clareza teórica (sim, teoria existe no mundo corporativo apesar de ser completamente obliterada pela maioria dos que fazem parte dele), de que a aplicação de uma determinada linha encaminhará os resultados para A ou B, C, etc.
Estou lendo o livro “A próxima década – Onde estamos… e para onde vamos”, de George Friedman, importante geopolítico estadunidense. Serve de contra-ponto aos que acreditam que uma empresa depende unicamente de suas ações para se promover no mercado. Obviamente que deve haver um balanço endógeno/exógeno, e que em determinados contextos históricos, a hegemonia de um se sobressaia ao outro. Adquirir pistas sobre este equilíbrio dinâmico, em constante mutação é tarefa da IC.
Nos relatórios de cenários setoriais, tento sempre buscar a origem de um determinado setor, a raiz (radix) e suas conseqüentes ramificações. Claro que resumir todo um histórico setorial em dez páginas é praticamente impossível no sentido prático, tarefa hercúlea, mesmo porque todo relatório, ou produção textual no geral, é uma interpretação de determinado contexto. Deixar as claras as intenções, em minha singela visão, é o caminho mais honesto e justo.
Voltando ao livro, uma das idéias centrais do autor, é que os EUA se tornaram um império por acidente, decorrência mais dos tropeços europeus, do que propriamente de sua intenção original, aos que afirmam o contrário, é mera análise pos festvm. Certo, mas onde entra a IC nisso tudo?
Bem, resumindo muito, as origens da IC nos remetem aos serviços de inteligência das forças armadas. Uma vez que nos percebemos no ‘controle’ de uma determinada situação precisamos refletir, buscar os elementos que possibilitaram a perpetuação da ascenção e a partir deles traçar os cenários futuros e as estratégias e políticas de ação para que a hegemonia seja mantida. Acredito que o realismo político possa, e deva ser aplicado ao mundo corporativo de uma forma transparente. Fazer uma análise corporativa através desta metodologia de análise pode chocar os gestores, como quando apresentei os primeiros relatórios de análise setorial. Não podemos ser inocentes e acreditar que a área de IC é isenta e representa a verdade, mas deve ter sempre o respaldo quantitativo e qualitativo. Toda ação é uma ação política, e visa à uma determinada finalidade, ou seja é teleológica. Desta forma, um livro que é aparentemente circunscrito à esfera de análise da geopolítica estadunidense, pode nos oferecer uma visão de base, de método analítico, pois muitas empresas, assim como os EUA, não pretendiam ter a hegemonia do planeta, acabou a recebendo, e lidar com este novo contexto exige muita reflexão e neurônios fundidos. Bato nesta tecla porque analisei algumas ementas de cursos de pós-graduação em IC, e muitas delas focam em metodoloias de análise endógenas. Claro, num primeiro ponto de vista, é o que a empresa pode aplicar/gerenciar, mas não devemos nos circunscrever unicamente à este limite. Desde o início da área de IC nas empresas deve-se atentar ao sinais do ambiente, mas este já é um assunto para postagens posteriores.

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4 comments

  1. Alessandra Alkmim

    Interessante o seu post Luiz Paulo. Abraços.

  2. Nossa, super complexo mesmo a área de IC! Haja Informação, técnica e precisao…. Abs,

    Priscila

  3. Clayton Alves Cunha

    Luis,

    Parabéns pelo excelente texto.
    Em todos os setores da economia, a área de inteligência com suas análises faz com que o “vender certo”, seja muito mais eficiente do que o “vender mais” !

  4. Luis Paulo

    Obrigado pessoal.

    E realmente Clayton, vender melhor é muito mais rentável do que vender mais. Pois quando se vende melhor, estreitam-se os relacionamentos e, romper relacionamentos é sempre um processo traumático (qualitativo). Agora, quantidade é facilmente substituível.