Jornal – Ciclo de vida em declínio

O tema escolhido para esta coluna é Trend Marketing (Tendências ) e como tal, fala de ações futuras, mas não poderia deixar de escrever sobre um produto que permeou minha vida e hoje se encontra em fase de declínio.

Todo produto tem um limite de vida, podendo ser mais curto ou mais longo dependendo das ações da empresa, inovação tecnológica entre outros fatores macro e micro ambientais que pode influenciar no tempo de vida dos produtos. Quando em aula à cinco anos disse que o Orkut iria um dia se acabar (não esperava que fosse tão rápido) meus alunos protestaram dizendo ser impossível, uma vez que o site era quase a razão de viver deles, em suas comunidades, e outras ferramentas, e vimos o pleno declínio deste produto em substituição de outras mídias sociais, assim como foi um dia com a maquina de escrever, entre outros.

Até a geração “X” o jornal em formato Stardard foi um produto muito importante em nossas vidas, o manuseio do jornal, dobra de folhas, era uma arte ensinada de pai para filho, quantas vezes quando criança eu ficava horas observando meu pai ler o jornal todos os dias e quando ele ia pro trabalho tentava em vão imitar sua postura e manuseio do jornal, depois de adulto me peguei lendo da mesma forma. O Jornal de Domingo era o mais esperado da semana, ele continha os classificados que eram praticamente a única fonte de busca de novas oportunidades de emprego, e compra e venda de produtos, quem não se lembra do numero 224-4000 dos classificados Folha em sua guerra com o jornal Estadão?

Hoje a nova geração  “Y” já praticamente não compra mais jornais nas bancas, os classificados se reduziram a meia folha, e com toda razão, a internet  tem uma rapidez de informação que o jornal impresso não poderia acompanhar, os empregos e compras são feitos por sites especializados, e o manuseio do jornal, sem referencia de uso se torna incomodo. Além disso o formato tabloide de distribuição gratuita chegou para dominar o que restava deste mercado. Assim sendo, cerca de 900 bancas de jornal fecharam suas portas em São Paulo, e as que restam lutam pela substituição das revistas e jornais por produtos alimentícios, brinquedos, entre outros, se assemelhando as bancas de produtos diversos que vemos em Nova York ou mesmo Buenos Aires.

Ano passado (2012) o “Jornal da Tarde encerrou suas atividades, antes dele o clássico notícias populares já tinha deixado saudades, não pelo conteúdo jornalístico, mas pela criatividade de seus títulos e com o perdão da expressão, bizarrices que tinham um certo tom de humor, neste mês o jornal ressuscitou em uma ultima edição especial para a promoção do filme Faroeste Caboclo.

                Não estou dizendo aqui que jornal em formato “Standart” chegou ao fim, eu mesmo ainda sou um consumidor fiel, mas é um produto nitidamente com seu clico de vida em declínio,  cada vez menos consumidores e pontos de vendas mais escassos, a prefeitura de São Paulo em sua “Bolsa Cultura” incluiu as bancas de jornais na possibilidade de gastos, mas corre o risco de ter jornais e revistas substituídos por outros produtos vendidos no mesmo estabelecimento.

                Temos como principais características de produtos em declínio, queda nas vendas, novas tecnologias, mudança comportamento consumidor, entre outros fatores e agora cabe as editoras de jornais algumas considerações:

  • Dados de análise;
  • Participação de mercado;
  • Participação nas vendas;
  • Lucratividade;
  • Aumentar o investimento ???
  • Manter o investimento ???
  • Diminuir o investimento (busca por nichos) ???
  • Estabilizar para “fazer caixa”;
  • Abandonar???

São decisões difíceis por envolver uma série de fatores que não estão sob controle das empresas, e claro, como quase todas estão fazendo investindo em conteúdo on line que tem como principal característica a rapidez e credibilidade da marca. Seja como for, é um produto que pra minha geração vai deixar saudades, o toque, o cheiro do jornal, as mãos sujas, só entendem sua importância quem passou uma vida com este produto.

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6 comments

  1. Valdo

    Muito bom antigo Professor, gostei muito, inclusive, alguns dos exemplos acima, foram utilizado de exemplos em nossas aulas. “)

    • Oi Valdo!! Muito obrigado! É verdade rs Conversamos sobre o tema em sala de aula!!
      Um grande abraço!!!

  2. Lucia Camargos de Souza

    Gostei do artigo professor, estamos passando por mudanças comportamentais e de visão. O rádio também é um destes sobreviventes, que em menor escala não deixou de fazer o seu papel na comunicação mas evidentemente diminuiu seu acesso via rádio AM, com o correr dos tempos, ficando o FM com a responsabilidade de atingir os mais jovens.

    • Vc tem razão Lucia, o rádio é outra midia que sofreu grandes mudanças e tenho certeza que ainda vai sofrer outras, a interação que as rádios estão fazendo com as mídias sociais tem sido ações bem interessantes!!

      Um grande abraço!!

  3. Rosana Aparecida Dourado

    O artigo vem de encontro a realidade de que o ambiente virtual está substituindo não somente a comunicação escrita (jornais, livros, revistas, …) como também vários outros ramos de atividades. É necessário uma visão estratégica de alto nível para sobreviver ou reviver. Parabéns pelo oportuno artigo.