marketing digital

Vivemos em um mundo onde o online e o off-line se confundem e a estratégia digital ganha cada vez mais importância nas estratégias de marketing das empresas.

Segundo autores e entusiastas em Marketing Digital esse é o tipo de marketing que tem como modelo de negócios: a utilização da internet para a realização de ações de marketing. Sendo assim, nada mais justo que o Marketing Digital seja um termo da moda. Afinal, todos estão interessados em uma nova modalidade que promete ser uma espécie de revolução no “feitio” do Marketing.

No entanto, é neste aspecto que residem minhas preocupações em relação ao que chamo de “Lado B” do Marketing Digital. Afinal, quando o interesse é muito grande e o cenário aponta uma ruptura do que existe até então, em favor de algo novo, a paixão e o desejo de ver as coisas acontecerem no curtíssimo prazo, muitas vezes, fazem com que profissionais, escritores e entusiastas acabem infectados pela velha e presente “Miopia de Marketing” de Levitt. Na qual só se consegue enxergar o que está próximo e não, necessariamente, o todo ao redor.

O exemplo mais contundente de que podemos sim, estar vivendo uma espécie de Miopia em Marketing Digital é histórico. Alguém se lembra da moda dos startups ou empresas “.com” do final da década de 90 e início dos anos 2000? Naquele período, todos tinham a certeza de que estas empresas “.com” iriam tomar o lugar das empresas físicas. Os planos de negócios eram vendidos por milhões nas bolsas de valores e sem nenhuma garantia de retorno, o que criou uma “bolha” especulativa, que quando estourou fez com que milhões perdessem o dinheiro investido. Como não se lembrar do portal de conteúdo “Starmedia” e outros desse tipo?

Não estou querendo aqui prever algum tipo de apocalipse do Marketing Digital e que os escritores e entusiastas estão todos errados. Longe disso, até porque, também sou um entusiasta do Marketing realizado digitalmente. Porém, como eterno entusiasta do Marketing, acredito que está acontecendo um exagero típico dos tempos da “Miopia em Marketing” de Levitt. Toda estratégia de Marketing possui um “lado B” que também deve ser analisado pelos profissionais responsáveis por sua implementação.

Acredito que o lado B do Marketing Digital é a fé cega que move seus entusiastas, que em muitas estratégias acabam por negligenciar o mundo real e as estratégias de Marketing já estabelecidas. Não é a primeira vez que isso acontece. Algumas estratégias de Marketing sofreram desse mesmo problema como, por exemplo, quando as bases do Marketing de Relacionamento e do CRM ficaram conhecidas e muitos entusiastas (como este que lhes escreve), acreditaram que o velho Marketing dos 4P’s estava morto. Hoje, com um pouco mais de experiência, confesso que estava errado naquela época.

É errado pensar que o Marketing Digital vai substituir o que já tem comprovação científica do que funciona. O Marketing Digital deve somar seus esforços com o que já existe e não substituir determinadas estratégias. Até mesmo Philip Kotler, em recente entrevista, chamou atenção para a necessidade de equilibrar ações reais e virtuais. O que revela uma preocupação real em controlar o entusiasmo em torno do Marketing Digital.

Recentemente, tive a oportunidade de conhecer os bastidores do Marketing da cervejaria Guinness, em Dublin, na Irlanda. Analisando as ações de Marketing realizadas pela empresa, pude presenciar que é possível e, principalmente, rentável realizar ações conjuntas de Marketing Digital e Real ao mesmo tempo. Em sua Guinness Storehouse, o visitante conhece toda história e fabricação da cerveja do tipo “stout”, a mais vendida do mundo. Em determinado momento o visitante é convidado a entrar em uma sala onde há uma tela com um grande mapa-múndi e alguns terminais interativos, para que possa postar no Twitter como está sendo sua experiência naquele momento. A mensagem-convite para partilhar a experiência na rede social, aparecia nessa grande tela, no mapa de origem do visitante. A partir desta ação que une digital com real, as visitas à Guinness Storehouse cresceram 185% no período posterior à implantação dessa sala interativa.

Portanto, prezados leitores, é necessário buscar o equilíbrio entre real e virtual em busca do melhor mix para a satisfação dos desejos dos clientes. A utilização do Marketing Digital é uma grande realidade, porém, não pode ser tratada como um novo insubstituível, como muitos de nossos colegas de profissão acabam encarando. Como a história nos mostra, é muito mais vantajoso somar e aliar estratégias do que ter uma visão Míope de Marketing. Lembre-se de que tudo tem um “Lado B”.

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O Implantando Marketing visa a união dos profissionais das áreas de Marketing e Comunicação Empresarial e busca formas de divulgação e crescimento dessas áreas através da Implantação de Departamentos de Marketing e Comunicação em pequenas e médias empresas. Para isso, compartilhamos experiências e conhecimentos necessários aos profissionais e empreendedores que querem se beneficiar dessa Implantação. Envie o seu currículo e escolha um dos núcleos do projeto.

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1 comment

  1. Oi Clayton,

    Gostei de ver esse lado B.

    Existe uma euforia entre as pessoas que se auto denominam “Empreendedores Digitais”.

    Antes eu até achava legal e confesso que queria fazer parte disso, mas vendo o mundo com o meu olhar mais crítico, do que idealizador, vi que o ambiente digital é tão desafiante quanto o offline.

    Como tudo na vida, ele tem os seus prós e contras. E como você bem disse no seu artigo, o equilíbrio entre esses dois mundos é fundamental para se manter ativo.

    É como a falácia dos famosos “ganhe dinheiro na internet sem trabalhar.” Esse é o famoso pega trouxa… Tem gente que ganha dinheiro através da internet sim, mas tem que ralar muito para conseguir!

    Abraços,

    Priscila