Marketing é um canivete suíço? Um convite à reflexão

Esta é uma boa época para refletirmos sobre os diversos aspectos da vida. De onde viemos, para onde vamos? Ser ou não ser? Por que a fila do lado sempre anda mais rápido? Brincadeira! Raramente a gente liga para isso, afinal estas respostas estão muito distantes da nossa pequena “capacidade de compreensão”. Mas, ao final de ciclos, e fim de ano é um destes momentos, é comum pensarmos sobre nossos projetos pessoais, familiares, profissionais. O que deu certo? Onde erramos? O que queremos para o próximo ano. Enfim, isso faz parte da nossa rotina.

E aqui entra o assunto que quero abordar. Uma reflexão sobre a nossa área de atuação, sobre a nossa profissão. O que é marketing para você?

Uma ferramenta? Uma teoria? Uma área do conhecimento? Uma técnica? Uma mentira?

Qual a sua finalidade?

Beneficiar o mercado? Ajudar pessoas? Criar desejos, propagar ilusões?

O que faz um profissional de marketing?

Cria projetos, anúncios, promove produtos, gera vendas? O que mais?

Você é capaz de responder sem engasgar, sem pensar um pouco, sem ter qualquer dúvida? Mesmo?

Acredito que esse é um problema que nós, como profissionais, muitas vezes falhamos em solucionar, em definir e nos posicionar.

Claro, sempre tem os teóricos para responder a essa questão. Vamos pedir ajuda aos universitários?

Kotler e Keller, definem marketing “[…] de uma maneira bem simples, podemos dizer que ele ‘supre as necessidades lucrativamente’.”

A American Marketing Association responde:

“O marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu público interessado.”

Mas para você, essas respostas esclarecem tantas dúvidas?

E, se essas dúvidas permanecem, as coisas vão ficando cada vez mais nebulosas…

Não são apenas os nossos pais que não sabem responder o que fazemos quando alguém pergunta sobre o nosso trabalho.

Somos nós mesmos. É o mercado, são os contratantes.

Será que estamos praticando nossas ações corretamente? Estamos comunicando para a sociedade como realmente devem atuar os profissionais da área? Sabemos repassar com clareza nossas atividades, diversidades, especificidades, nosso conhecimento?

Sabemos nos mostrar relevantes, vender nosso peixe?

Por que o mercado continua com essa visão tão distorcida dos profissionais de comunicação, marketing, design, publicidade? Nós misturamos tudo! E isso está virando uma salada maluca, onde ninguém é capaz de separar quais são os ingredientes.

Por que temos tantas dúvidas para expor com clareza o que fazemos? Por que sentir vergonha ao falar que promovemos vendas? Por que tanta confusão em torno de uma atividade?

Pense comigo, um médico que trata do aparelho digestivo, não vai atender alguém que precisa de tratamento neurológico, afinal, não é sua especialidade. Um advogado criminalista trabalha um assunto diferente do advogado de família. Não quer dizer que não possam fazer o trabalho, mas para eles, existe uma divisão clara.

Por que com nosso setor deve ser diferente? Sem contar que se você perguntar, 99% da população vai dizer que sabe, sim, fazer marketing. É muito fácil! Aliás, nem precisa de pesquisa, temos o clássico “sobrinho” para comprovar. Basta abrir o paint, criar uns desenhos e publicar no Facebook.

Qualquer pessoa pode exercer medicina? E marketing? O que você pensa sobre isso?

E quando surge um processo seletivo e são tantas as exigências que você fica desnorteado, se perguntando em que lugar do caminho se perdeu, pois desconhece o significado da maioria daquelas siglas e palavras diferentes que apareceram “de repente.”

Talvez, agora você perceba a dúvida do título: Marketing é uma “ferramenta” que serve para tudo e ao mesmo tempo não é especializada em nada, como um canivete suíço?

Sim, trabalhar com marketing é se atualizar todos os dias. É aprender constantemente, estar aberto ao novo, acompanhar as novas gerações, sem se esquecer do que preza as antecessoras.

É preciso saber operar alguns softwares, entender de mídias sociais, aprender novas estratégias e metodologias. Porém, algumas coisas só ganham novas roupagens e se apresentam com novos nomes bonitos. Mas também, se assim não fosse, não seria marketing!

Observe coisas simples como termos que mudaram, por exemplo, “Firma” passou a ser “Empresa, organização”, a palavra “Freguês” foi substituída por “Cliente, consumidor” e por aí vai.

Se o profissional não gosta de estudar com frequência é melhor nem começar, pois esse mercado se atualiza e muda com muita rapidez.

Entretanto, parece que estamos sofrendo a síndrome do pato. Conhece essa teoria?

Resumindo, o pato sabe andar, voar e nadar. Mas não faz nenhuma dessas atividades com elegância e eficiência, perceba que ele voa baixo, nada lentamente e anda todo torto.

É bom ser versátil, mas não seria melhor se especializar e se aprofundar em algo?

Defendo o conhecimento diversificado. Procure saber um pouco sobre tudo, mas não tente fazer tudo. Você deixará de investir no que é bom, para tentar algo em que será mediano.

Apele para seus potenciais, foque neles, invista em conhecimento, se torne especialista, referência, a chance de ter mais sucesso é potencialmente maior.

Para a área que você não domina, contrate freelas, terceirize, caso não seja possível ter uma equipe própria. Todo mundo ganha, o trabalho entregue evidentemente é muito melhor, atinge o objetivo e nossa reputação aumenta.

Se você é consultor de marketing e vai criar o plano, mas não sabe executar algumas ações, como fazer layouts, por exemplo, contrate quem sabe, um designer. Evite fazer o que você não tem capacitação, pois isso só serve para quebrar galho. Se for algo profissional, o ideal é que um especialista faça.

Ao tentar abraçar todas as causas e não dividir o bolo, criamos projetos que, para dizer o mínimo, são horríveis e não atingem nenhum resultado.

E o que acontece com frequência? O cliente fica frustrado, você não tem retorno desejado, não é reconhecido, pois não conseguiu atingir o objetivo.

Ainda pior que o cenário acima, é quando largamos o projeto incompleto seja porque no meio percebemos que não iria dar certo, seja porque não apresentamos resultados ou não atingimos a expectativa do cliente criada lá no início.

Somos responsáveis por gerar mais credibilidade para nosso setor, torná-lo sólido e confiável.

Não minta para o cliente, não prometa o que você sabe que não é viável.

Crie melhores projetos, seja mais eficaz. Contribua para promover mais confiança na área de marketing. Não faça promessas eloquentes para depois não atingi-las. Não tente ser um canivete suíço.

Defenda sua reputação. Aliás, reputação é uma das áreas que podemos nos especializar.

Para finalizar deixo uma frase do Zig Zilar, pois ela representa um pouco do objetivo que devemos perseguir: “Na vida, você obterá o que quiser, desde que ajude outras pessoas a obter o que elas querem”.

 

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