Rodrigo Nascimento explica sobre a era do marketing pós-digital

O mundo mudou e o marketing deve mudar com ele.  A percepção das empresas perante o perfil do cliente e como ele se relaciona com os diversos canais de comunicação, off ou on, tem se transformado diariamente. Rodrigo Nascimento é um profissional que está buscando uma nova forma de auxiliar as empresas nessa percepção e como a empresa deve interagir com ele em todos os estágios do ciclo de compra. Nessa entrevista, você poderá conhecer um pouco da visão desse profissional extremamente capacitado e que está trabalhando um passo à frente no mercado.

Implantando Marketing – O que é o marketing pós-digital?

Rodrigo – O marketing pós-digital propõe uma nova atitude de profissionais e empresas no mundo totalmente conectado. Hoje, os consumidores raramente estão desconectados com seus smartphones, tablets e smartwatchs. Temos que ter em mente que não faz mais sentido as empresas tratarem separadamente as suas ações. Os consumidores não pensam em off-line ou online, ou mesmo em digital ou analógico. Está na hora de propormos um approach novo, entendendo que a divisão on/off já cumpriu o seu papel. Nesse novo cenário, a ideia é canalizar esforços de volta à preocupação primordial do marketing, que é construir marca e vender, sem se preocupar se os esforços são on ou off. Não existe mais investimento definido por mídia, mas sim em função da presença dos consumidores nos mais variados estágios do ciclo de compra, utilizando todos os canais de interação à sua disposição. Todas as estratégias (tradicionais ou digitais) se complementam, no cenário pós-digital. O que nos permite pensar nas ações mais rentáveis que atendam aos consumidores de acordo com suas expectativas e lidem com sua disposição (ou não!) de comprar. Desde aquele que nem conhece o seu produto até aquele que chega na loja com o dinheiro na mão.

Implantando Marketing -Em sua opinião, qual o ponto mais importante do marketing pós-digital?

Rodrigo – Sem dúvida que o ponto mais importante do marketing pós-digital é a consolidação da inversão de poder da comunicação da marca para o consumidor. Antes a interação era iniciada e comandada pelas empresas.  No cenário atual, a interação é completamente gerida pelo próprio consumidor. É ele que dá permissão às marcas de impactá-lo com sua publicidade.  Ele busca as informações. Não vê um comercial na TV e toma a decisão. Se pensarmos que o consumidor inicia a relação com as marcas na hora e na forma que ele quer, as campanhas tradicionais com datas de início e fim, veiculadas nos canais que as agências escolhiam, perderam sua força. Quem garante que colocar um anúncio na TV vai realmente conduzir um cliente para o ponto de venda? Talvez impacte aqueles que estão propensos a comprar e considerando decidir naquele período, como por exemplo os comerciais de feirão de automóveis que passam sexta-feira no Jornal Nacional. Mas, mesmo assim, a marca tem que torcer para ele não trocar o canal ou ainda pior, não assistir apenas Netflix! O anúncio na TV perdeu força na maioria das etapas do ciclo de compra do cliente comum. Mas, ainda é forte para a etapa que foca a construção de marca e a conquista do conhecimento (awareness). Mas mesmo assim, na minha opinião, as campanhas tradicionais com início e fim serão substituídas por estruturas de interação que ofertarão conteúdo focado (no seu máximo denominador comum) e instrumentos de conversão, disponíveis para todos os consumidores, a todo momento, e acessíveis por qualquer dispositivo. Um exemplo disso é o crescente uso das landing pages com resultados positivos cada vez mais comprovados.

Implantando Marketing – Qual a principal fonte que as empresas tem para buscar conhecimento sobre esse assunto?

Rodrigo – Além de nós? (risos). Parece que está se construindo um consenso em torno da necessidade de não se pensar mais em on e off. Mas, ainda são poucas as fontes que abordam como performar no novo cenário. Um livro sensacional é o do Walter Longo, “Marketing e comunicação na era pós-digital”. É uma grande fonte e talvez um dos melhores materiais para começar a pensar de uma forma pós-digital. Em meu slideshare tem uma apresentação que mostra como pensamos sobre o mundo pós-digital.

Implantando Marketing – O que motivou você a trabalhar esse conceito na sua agência?

Rodrigo – A Buscar ID, mesmo tendo uma consciência clara sobre isso, sempre trabalhou na prática com uma visão pós-digital, mesmo sem dominar o conceito de forma tácita. Isso aconteceu, porque precisávamos integrar as estratégias digitais com as agências tradicionais e lidar com as diferenças nas taxas de retorno. O que as agências tradicionais faziam trazia cada vez menos retorno e o nosso trabalho “bombava”! O problema é que de um tempo para cá, até o que fazíamos em termos digitais e que era um sucesso, também começou a dar um retorno menor. Por isso, precisamos buscar a produtividade marginal para os investimentos em comunicação.  Além disso, sempre focamos no básico do marketing e não nas ferramentas disponíveis que cada vez compunham um leque maior e melhor. Quando começamos a refletir sobre o novo posicionamento da Buscar ID entendemos que o pós-digital seria a melhor forma de recuperar a performance utilizando todos os recursos disponíveis, aplicados a cada etapa do ciclo de compra de acordo com a aderência, a demanda e a taxa de retorno. As pessoas preocupam muito com o que uma determinada ferramenta pode fazer, mas esquecem que elas são apenas meras coadjuvantes em todo o processo, onde o protagonista é o consumidor. Nós sempre invertemos isso e acredito que o pós-digital é bem  o caminho da volta ao básico do marketing, eliminando o digital e tradicional, transcendendo os dois.

Implantando Marketing – Como a sua agência aplica esse conceito nos trabalhos?

Rodrigo – Sem questionar a importância das grandes campanhas publicitárias com slogans impactantes, trilhas emocionantes, artistas renomados e mensagens focando cada vez mais nas crenças dos consumidores do que nos benefícios dos produtos e serviços, acreditamos que hoje o consumidor é definitivamente menos influenciável.

Sendo assim, nós colocamos a tecnologia de lado e focamos no ciclo de compra e em cada etapa dele, porque dessa forma fica muito claro quais recursos e em quais momentos precisamos trabalhar cada ação e assim suprir as necessidades dos clientes de nossos clientes. Exemplo: Se um cliente precisa lançar um novo produto, vamos precisar impactar o consumidor na etapa awareness, pois será preciso que o consumidor tenha conhecimento que o produto existe e sua aderência às necessidades dele. Nossa ideia é criar estruturas de atendimento a partir do ciclo de compra. O que estou dizendo é que precisamos entender os dois momentos em que trabalhamos como agência: o momento do nosso cliente, onde ele nos passa necessidades, angústias, problemas e orçamento para encontrar as soluções. E o momento dos clientes do nosso cliente, que podem já ter decidido comprar ou contratar seu produto ou serviço, mas tem dificuldades para efetivar a transação, já que ele buscou na internet “quero comprar” e seu site respondeu, “sabia que somos o melhor para você? Saiba mais sobre os detalhes do nosso produto”. Ele já estava decidido a comprar. O que ele queria era uma estrutura simples e direta para transacionar, como uma landing page. Sendo assim, utilizamos nossa metodologia para analisar a situação, determinar quais estruturas construir em cada etapa do ciclo de compra e atender plenamente os prospects. Nossa visão é começar a construir as estruturas a partir dos clientes que já querem comprar e de forma subsequente evoluir para os clientes que não decidiram ou ainda nem ouviram falar em você. Veja abaixo uma visão macro e básica de como seria encontrar essas soluções baseadas no ciclo de compra criado pela Buscar ID.

marketing pós-digital

Implantando Marketing – Qual foi a transformação que sua agência sofreu ao começar a trabalhar com o marketing-pós digital?

Rodrigo – Uma metodologia poderosa e simples se consolidou, e hoje somos mais rápidos e assertivos. Isso nos torna um fornecedor capaz de trazer retorno mesmo a curto prazo.

Implantando Marketing – Quais os principais resultados obtidos pelos seus clientes após começar a trabalhar com esse conceito?

Rodrigo – Os clientes que queriam comprar e buscavam a marca agora acham uma forma simples e direta de transacionar sem ter que ler sobre o projeto social da empresa ou como a nova filial no Tocantins é linda. Aqueles que ainda nem conheciam a marca agora podem encontrar informações que cujo objetivo é construir o awareness e explicitar os benefícios e características do produto ou serviço. A melhoria do retorno é muito rápida.

Implantando Marketing – Por que no marketing pós-digital não faz mais sentido as empresas tratarem separadamente as suas ações?

Rodrigo – Simplesmente porque essa separação não faz mais sentido. Seu celular é digital ou analógico? Sua TV? E os quiosques de interação nas lojas? Tudo é digital. Até os seres humanos terão partes digitais em pouco mais de 10 anos.

Implantando Marketing – Esse conceito tende a se fortalecer nos próximos anos. De que forma?

Rodrigo – Da melhor forma possível. Na prática, não existe mais mundo digital e real. Se formos pensar que estamos chegando na era dos dispositivos vestíveis e Oculus Rift ou óculos como o Google Glass conseguiremos entender como será inserido não apenas o conceito, mas de fato a não existência de dois mundos que até pouco tempo estavam separados, principalmente, porque era uma fase de implantação da tecnologia digital.

FAÇA PARTE DO PROJETO

O Implantando Marketing visa a união dos profissionais das áreas de Marketing e Comunicação Empresarial e busca formas de divulgação e crescimento dessas áreas através da Implantação de Departamentos de Marketing e Comunicação em pequenas e médias empresas. Para isso, compartilhamos experiências e conhecimentos necessários aos profissionais e empreendedores que querem se beneficiar dessa Implantação. Envie o seu currículo e escolha um dos núcleos do projeto.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

4 comments

  1. Priscila Stuani

    Ótima entevista!

    Obrigada ao Rodrigo Nascimento por compartilhar essa experiência incrível e ao Rodolfo por promover essa interação.

    Concordo que o cliente está cada dia menos influenciável. O acesso a informação a todos transformou o modo com que nos relacionamos.

    Vou conferir as suas dicas sobre pós-digital em seu Slideshare.

    Abraços,

    Priscila

  2. Eliane Lages

    Muito bacana poder conhecer a forma que sua agência trabalha atualmente, Rodrigo. Já tinha assistido algumas palestras suas sobre SEO e já admirava o trabalho que você desenvolvia com os seus clientes. Parabéns!

    Ótima entrevista, Rodolfo! Sucesso para vocês.

    Abraços, Eliane Lages.

  3. Willian

    Muito interessante, parabéns! Um conceito mais ou menos análogo ao pós-marketing poderia ser o marketing 3.0, fruto da evolução tenológica das mídias e do deslocamento do cliente – de passivo, passou a ser ativo, um buscador mais autônomo de conteúdos, produtos e necessidades. Escrevi sobre isso neste post: http://k2comunicacao.com.br/blogs/o-que-e-marketing-3-0/, que tomo a liberdade de compartilhar para enriquecer o debate.

    Abraço.

  4. Geovanne Teles

    Ótima reportagem!

    Assunto muito atual, relevante é rico.

    O meu grande questionamento e medo é: com este cenário veremos um ciclo alucinante e maluco de mudanças de comportamento do consumidor e também de mais erros na leitura do mercado?