Mulher, consumo e propaganda

O filme da marca Ariel intitulado #shareTheLoadi teve até meados de maio agora, 3.049.010 visualizações no youtube. Criado pela BBDO India para a marca Ariel da P&G, ganhador do Glass Lion em Cannes 2016, o filme retrata o dia-a-dia das mulheres, no caso, indianas, mas que poderia representar o cotidiano de quaisquer mulheres modernas.

Este filme suscitou uma análise semiótica desenvolvida por Garcia (2016) a ser publicada em congresso esse ano, e nos levou a pensar se as marcas estariam preparadas para estabelecer uma comunicação bem sucedida com estas mulheres. A resposta é um sonoro NÃO!

Esta mulher, chamada de mulher multitarefas, tem sido objeto de diversas pesquisas, dentre elas, o Relatório Movimentos Femininos, realizado pelo Ibope Inteligência em parceria com a Editora Abril em 2008, indica que as mulheres percebem a necessidade de abrir mão da perfeição na realização de tantas tarefas cotidianas mas, muitas delas, ainda sobrecarregam-se com a síndrome do “eu me basto”, assumindo suas jornadas triplas sozinhas.

Estas mulheres estão cansadas e insatisfeitas com suas rotinas, buscam uma qualidade de vida que está diretamente relacionada ao reconhecimento do parceiro, equidade de remuneração e maior divisão das tarefas domésticas.

O filme citado traz justamente esta discussão acerca dos papéis masculino e feminino, propondo uma releitura. O filme chama a atenção para a não percepção do homem com relação à rotina de suas companheiras, e vai ao encontro da necessidade de buscar uma nova masculinidade para que possamos alcançar a tão almejada maior cooperação e igualdade entre homens e mulheres.

Pesquisa recente publicada no Jornal O Estado de São Paulo pelo jornalista Fernando Scheller alerta para a presença gritante de estereótipos em nossas campanhas publicitárias onde o discurso acerca da igualdade de gêneros acaba como mero discurso mesmo.

Batochio (2013)³ alerta que as marcas, quando retratam as mulheres repetem os papéis tradicionais idealizados, papéis com os quais as mulheres não mais se identificam.

A proposta é convidar nossos leitores a repensarem a forma como têm retratado suas consumidoras em suas campanhas, fazendo exatamente como o pai da protagonista faz no filme citado: olhando, talvez pela primeira vez, para a rotina desta mulher multitarefas, procurando compreendê-la e responder: como a minha marca, produto ou serviço podem contribuir para que ela se sinta reconhecida, satisfeita e aliviada em sua rotina?

Desta forma poderemos almejar que nossas consumidoras vejam nossas campanhas e pensem: “Opa! Esta é a minha vida!”4

 

Referências:

¹Relatório Movimentos Femininos. In Ibope Inteligência e Editora Abril. São Paulo: Editora Abril, 2008.

²Scheller, Fernando. Na publicidade brasileira, mais de 90% dos protagonistas ainda são brancos. O Estado de São Paulo, Caderno Economia & Negócios, São Paulo, 21 de março, 2016.

³Batochio, Renata. Além do estereótipo. Jornal Meio e Mensagem-Especial Mulheres, São Paulo, 04 de março, p. 47 a 60, 2013.

4Machado, Marcos. Nicoletta, Costábile et al. Quem tem saudade da Amélia? Jornal Meio & Mensagem, Especial Mulheres, São Paulo, 05 de março, 2007.

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