Pensar o futuro – Criação de Cenários

A primeira questão que nos vêm a tona é: O que são cenários? Para que servem? Como são construídos? Posso construir um cenário?

Bem, vamos lá, uma definição simples de cenários é: “Conjunto formado pela descrição, de forma coerente, de uma situação futura e do encaminhamento dos acontecimentos que permitam passar da situação de origem à situação futura”. Godet (1996).

Steve Jobs tem a famosa frase: “As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas”. Este é um exemplo de como as organizações devem tomar as rédeas com firmeza e planejar o futuro. Claro, não teremos garantias de que ele será construídos e como se comportará na dinâmica do mercado, porém, é melhor não correr riscos, caso contrário pode-se deixar um flanco aberto e concorrência toma a dianteira.

O cenário é montado basicamente utilizando-se uma visão de causa e efeito – devido ao viés cognitivo da gestão em ação (é possível a construção de cenários pautados na complexidade, teoria do caos, mas para tanto, há a necessidade de equipes heterogêneas). Há dificuldade para qualquer ser humano em vislumbrar um futuro com elementos completamente distintos dos quais estamos habituados. Arie de Geus ilustra este problema através do seguinte caso: Um índio de tribo isolada, foi trazido por antropólogos para a ‘cidade grande’. Levam-no a todos os lugares e mostram todas as maravilhas que o mundo moderno poderia oferecer. De volta à tribo, após alguns dias, perguntam-lhe o que havia ‘visto de diferente e novo’. Resposta: o que mais lhe chamou atenção foi ‘a quantidade de bananas que viu um homem carregando, muito maior do que estava acostumado na aldeia’.

Imaginar cenários implica perceber a centelha do futuro no presente.

“Todos os que pretendem predizer ou prever o futuro são impostores, pois o futuro não está escrito em parte alguma, está por fazer. O futuro é múltiplo e incerto.” – Godet (1996)

As constantes mudanças dos movimentos sócio-econômicos do mundo, aliada à estressante rotina moderna, em nosso caso, especialmente a rotina corporativa, nos impedem de vislumbrar o futuro que desejamos, e o futuro começa exatamente no momento que decidimos/optamos por trilhá-lo. Este é o primeiro passo, a construção de uma visão – limites que os decisores conseguem enxergar dentro de um período de tempo mais longo e uma abordagem mais ampla. Ela tem um aspecto mobilizador e dinâmico, pois a única certeza que temos é tudo vai mudar. Construir cenários nestes tempos de mudanças constantes pode parecer uma atividade esquisofrenizante, mas é loucura não se atentar para os riscos da rigidez. Jorge Bezerra (2012) alerta: “Essas mudanças provocam conflitos na empresa que, apesar de incomodar, mostram um sinal de vitalidade em seu interior. Algo preocupante é quando é quando há conflito em uma empresa e esta não reage, como se estivesse anestesiada. Como o organismo humano, a empresa é analisada muito mais por suas reações que por suas ações, sendo assim, suas manifestações irão mostrar até que ponto ela está assimilando as pressões do mercado e, ao mesmo tempo, como a sociedade irá receber e aceitar suas ofertas decorrentes das demandas sinalizadas. Quando uma empresa não reage é como se estivesse triste ou deprimida”. A visão de estrutura interna e conjuntura externa deve  estar em sintonia com o movimento do mercado. Os cenários devem estar ligados ao Plano estratégico da organização. Na estrutura de um cenário deve constar basicamente: Título, Filosofia ou Idéia Força, Atores, Variáveis, Cena, Trajetória. Os médotos de criação e desenvolvimento são distintos, mas essencialmente possuem algumas semelhanças: Atitude prospectiva, Múltiplos Cenários e Ênfase nos Atores.

Para Godet, 1996, os cenários podem ser classificados em possíveis (tudo o que podemos imaginar), realizáveis (tudo o que podemos conseguir) e desejáveis (todos os imagináveis, mas potencialmente não realizáveis). Além disso, podem se classificar, segundo sua natureza ou probabilidade: Cenários Exploratórios, Cenário normativo ou desejado.

Segundo o CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos): a construção do cenário é constituída por três fases: (1) a construção da base, na qual são definidos a formulação de um problema, a identificação do sistema e seu exame por meio de suas principais variáveis, e a análise dos atores e suas estratégias; (2) busca e identificação do conjunto de possibilidades e redução da incerteza, na qual podem ser listadas as possibilidades futuras usando um conjunto de hipóteses que se relacionam com a continuidade ou interrupção de tendências; (3) desenvolvimento de cenários, que podem ser desde concepções embrionárias, dado que podem ainda ser baseados em conjuntos de hipóteses restritas, ou cenários já implementados. Nessa fase devem ser descritas as rotas a serem perseguidas para se atingir os cenários desejados.

Podemos considerar os principais médodos: Godet, GBN, Porter, Análise de Long Wave e Grumbach. Mas está é uma discussão para a próxima postagem.

Referência:

Godet, Michel. Creating Futures. Scenario Planning as Strategic Management Tool. Paris: Economica. 2006.

Bezerra, Jorge. O Gestor de Planejamento Estratégico da Informação. Gestão da Informação, inovação e Inteligência Competitiva. Brasil: Editora Saraiva, 2012.

CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos

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2 comments

  1. Vanessa Alkmim

    Oi Luis, parabéns pelo texto!
    Realmente, as vezes a rotina corporativa nos impede de vislumbrar o futuro. Ficamos tão focados no aqui e agora que nos esquecemos da importância de planejar.
    E os cenários precisam mesmo estar ligados ao Plano Estratégico da empresa.
    Seu artigo foi muito esclarecedor!
    Obrigada por compartilhar seu conhecimento conosco!
    Abraços,
    Vanessa

  2. Olá Luis,

    Essa frase:“Todos os que pretendem predizer ou prever o futuro são impostores, pois o futuro não está escrito em parte alguma, está por fazer. O futuro é múltiplo e incerto.” – Godet (1996), para mim, reflete exatamente o que é trabalhar com cenários.

    Quando fazemos estudos para formatação de franquias ou novos negócios, essa é uma questão crítica, afinal, entre o cenário pessimista e otimista, o objetivo é buscar o cenário real, tarefa que só o tempo vai direcionar…

    Ótima reflexão,

    Abraços,

    Pri