Qualidade De Vida No Trabalho – QVT: muito além da ergonomia

Com a aproximação do verão, muitas empresas pensam em implantar programas de QVT (qualidade de vida no trabalho) e iniciar suas atividades nessa época do ano. Porém, ao conversar com três pessoas de empresas diferentes, percebi que há uma distorção muito grande na compreensão sobre o que é e como é visto um programa de QVT. Nesse caso, todos pensavam que se tratava exclusivamente de incluir ações de saúde ocupacional e programas de habilitação física, como caminhadas, corridas, etc. No entanto, o conceito real de QVT vai muito além e por isso resolvi escrever esse post para esclarecer o tema.

Para falar em qualidade de vida no trabalho, é necessário antes fazer uma breve viagem histórica, pois muitos especialistas acreditam que tudo começou com Frederick Taylor, um dos principais autores da administração científica. Taylor buscava racionalizar o trabalho a fim de maximizar a produção e diminuir as perdas. Assim, observou os tempos e movimentos dos operários, pois percebia que eles produziam menos do que eram capazes e que essa produção caía ainda mais quando estavam muito cansados. Ele criou programas de recompensa e pagamentos atrelados à produção, para incentivar os homens, até então vistos apenas como executantes de tarefas, a produzirem mais. Depois, criou a chamada “Lei da Fadiga” que verificava o limite da capacidade física do homem para a execução de determinada tarefa.

Embora de uma forma simplista e verificando apenas a capacidade de produção, essa foi a primeira vez na história que o fator humano foi observado numa organização.

Depois disso, Abraham Maslow, psicólogo americano que criou em 1946 a famosa pirâmide das necessidades humanas”, focou seus estudos na observação e avaliação das pessoas como indivíduos, contrapondo-se a teoria de Taylor que visava somente a produção. Foi nesse momento que o conceito real de Qualidade de Vida no Trabalho realmente começou a ser criado. Por fim, não podemos deixar de citar Douglas McGregor, que durante a década de 60 criou as teorias de motivação X e Y, que falam em (x) motivos pelos quais as pessoas são ineficientes no trabalho e (y) identificação das causas dessa suposta ineficiência nos processos organizacionais, propondo a melhoria das condições físicas e psicológicas na empresa, visando o aumento da produtividade do colaborador.

A origem do termo Qualidade de Vida no Trabalho gera muita polêmica, pois há varias discussões sobre quem a introduziu pela primeira vez e em que momento, mas todos concordam que isso ocorreu entre os anos 50 e 60 do século XX. O que importa é que no consenso, esses programas objetivam promover mudanças no ambiente e nos processos, influenciando os colaboradores na escolha de hábitos mais saudáveis de vida, tanto física quanto psicologicamente. O resultado desse somatório de ações é a diminuição das situações de stress, doenças físicas ou emocionais e melhora no equilíbrio entre prazer e trabalho, vida pessoal e vida profissional. Como resultado, as empresas contam com pessoas mais motivadas, felizes, que produzem mais e melhor, tanto individualmente quanto em grupo. O clima organizacional fica mais leve e os indivíduos se sentem mais confortáveis no ambiente profissional.

Podemos, portanto, concluir que um programa de QVT deve partir de uma estratégia com vistas à promover a saúde ocupacional como um todo, indo muito além de ergonomia ou atividades físicas.

Agora que temos um conhecimento nivelado acerca do histórico e dos conceitos de QVT, não podemos deixar de citar os indicadores e modelos para nortear a implantação do mesmo. Para esse post, escolhi o modelo de Richard Walton, um dos autores mais respeitados nessa área, por ter um modelo amplo de análise de qualidade de vida. O modelo de Walton possui oito categorias, as quais contemplam amplamente a visão dos colaboradores sobre a empresa. Sim, para criar um programa de QVT de forma estratégica, é necessário conhecer a percepção dos colaboradores da empresa.

Abaixo, modelo de Walton (1973)

Fontes:
Artigo Administradores.com
Artigo acadêmico Unicamp
Fundamentos de Gestão de Pessoas / Giselda Sallon Dias (organizadora); [autores] Catia Ligocki Venturella… [et al.]. São Leopoldo, RS: Ed. Unisinos, 2011. p. 109 a 123.

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2 comments

  1. Aline,

    Gostei de conhecer as importâncias do QVT. É bom conhecermos opiniões de outros profissionais para não criar aquele senso comum e resumir as coisas… Boas dicas!

  2. Aline, mandou muito bem no tema!

    Qualidade de vida no trabalho é tão importante quanto à produtividade e o resultado esperado pelos gestores de suas equipes!

    E começar o dia com uma mesa organizada, uma cadeira ergonomicamente adequada, um bom dia simpático dos colegas de trabalho e aquele cafezinho preto…hehe, não tem preço!

    E claro, manter/buscar/fomentar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é mais do que necessário para este processo: é obrigatório e ainda muito a ser discutido pelas empresas.

    Sds,